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Aprendiz em movimento: a descoberta de um mundo diverso

Nathaly Gomes Maranhão nunca havia entrado em uma aldeia. Como a maioria dos 30 jovens aprendizes que percorreram mais de 400 quilômetros de Luziânia e Valparaíso de Goiás até Aruanã, ela chegou ao noroeste goiano carregando uma ideia sobre os povos indígenas que não vinha do conhecimento, mas do que ouviu a vida inteira.

“Eu tinha realmente outra ideia, nada parecida. Principalmente em relação aos lugares que a gente visitou, às aldeias, porque a gente tem um estereótipo dos povos indígenas. E eu acho que abriu muito a nossa cabeça para uma visão mais cultural, menos estereotipada das coisas.”

O que mais a marcou foi ouvir uma língua que ela não sabia que existia tão perto de casa: "Com certeza lá na aldeia. Foi a língua materna deles. Eu achei incrível."

Essa mudança de olhar é o que a primeira edição do Aprendiz em Movimento se propôs a provocar. Realizada entre 23 e 26 de julho pela Renapsi em parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Goiás (Seds), dentro do programa Aprendiz do Futuro, a iniciativa levou jovens para explorar o território goiano por meio da educação, da cultura e da sustentabilidade.

Transformação pela educação

O diretor da Renapsi, Uilton Tiradentes, avalia a primeira edição como um marco educacional.

"Quando nós citamos o Aprendiz em Movimento, entendemos que temos que fazer a transformação através do emprego verde, através da cultura, da educação. E nós podermos trazer 30 jovens de Luziânia e Valparaíso, andar mais de 400 km até Aruanã. Nós conseguimos fazer com que esses jovens viajassem, mas viagem para o futuro. E o futuro, eu sempre digo, é hoje."

Sobre a visita à aldeia, ele ressalta a dimensão educativa do encontro com a comunidade Karajá.

"Quando nós levamos esses jovens para que eles possam fazer essa imersão, de visitar a aldeia, de conhecer a parte da preservação da sustentabilidade, de ver e ter contato com a comunidade de Aruanã, que é uma cidade que tem 8 mil habitantes, mas que tem ali pescadores, que são os barqueiros, a Associação dos Barqueiros, que tem a aldeia dos Carajás. Isso é educação. Quando nós chegamos na aldeia, só para você ter uma ideia, tem uma escola estadual para indígenas. Então, quando nós mostramos essa cultura onde eles ensinam o inglês, o português e a língua deles, nós entendemos que, de fato, existe essa diversidade. E nós temos que mostrar para a juventude que a diversidade tem que ser olhada com bons olhos e através da educação."

Aprendizados que atravessam a vida profissional

Thalyson Oliveira fez uma leitura da experiência voltada para o mundo do trabalho. Depois de acompanhar os bastidores da ativação de uma emissora de televisão, às margens do Araguaia, ele percebeu algo que só a vivência pode entregar. 

"A organização do pessoal do palco, de gravação, de áudio, de tudo. Porque tem que estar ali puxando fio, tem que andar em comunhão com todo mundo, porque senão tudo desanda. A organização deles me surpreendeu, algo que eu vou levar."

Para ele, a experiência reforçou competências que o mercado cobra e que a sala de aula nem sempre alcança.

"A gente aprende mais a ter diálogo mesmo, de poder e conseguir conversar, porque, querendo ou não, a gente convive com muitas pessoas, o meio social, aprender a conviver em equipe ali na empresa e também sobre o meio ambiente, porque, querendo ou não, a empresa e o ambiente têm que andar juntos."

Júlia Christina Sousa Santos, que completou 18 anos poucos dias antes de embarcar, guardou o momento em que viu o rio pela primeira vez.

"A gente fala que não tem praia aqui em Goiás, né? Mas é a nossa prainha e ela diferenciada."

Um território que está perto e ainda é desconhecido

A gerente do Polo Goiás, Aline Mariano, explica o que orienta a proposta do projeto.

"O projeto Aprendiz em Movimento é uma iniciativa para que a gente possa explorar todo o território goiano, sua cultura, história, por meio da educação, trazendo aprendizes de outros municípios para um intercâmbio. Essa primeira edição em Aruanã, especificamente, nós trabalhamos os povos indígenas, a cultura, a história da cidade."

A programação incluiu caminhada ecológica com abordagem sobre reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, imersão em 3D sobre os parques do Estado de Goiás, aula de história e cultura na aldeia Karajá conduzida pela cacique e por uma professora da cidade, oficina de argila com artesãos indígenas e participação nas atividades à beira do Araguaia. 

Quem organizou a viagem conhece bem os dois lados dessa história. A assistente administrativo do Aprendiz do Futuro, Luísa Telles Martins, começou sua trajetória no ecossistema como jovem aprendiz e fez um comparativo com os intercâmbios internacionais do programa.

“Os intercâmbios que a gente teve eram uma realidade muito diferente. Mas trazer para a região do nosso estado é importante porque está perto, e muita gente não conhece. Aqui a gente teve, por exemplo, a oportunidade de conhecer a aldeia indígena e um pouco da cultura deles."

Sua história dentro do ecossistema começou do outro lado: Luísa entrou como jovem aprendiz no departamento psicossocial e hoje planeja programações para quem está no lugar que ela ocupou.

"Do mesmo jeito que eu fui cuidada quando eu era uma jovem, agora eu tenho a oportunidade de cuidar, de certa forma, dos outros jovens aprendizes."

Uma edição que abre caminho

A continuidade do projeto já está em discussão entre a Renapsi e a Seds.

"Pode ter certeza que esse programa veio para ficar", afirma Uilton Tiradentes. "Temos pensado juntos e coletivamente num processo para vermos de que forma podemos trazer a experiência para outros jovens de outras regiões e outra localidade."

Aline Mariano já projeta novos destinos: "Esperamos ir para a Cidade de Goiás, Pirenópolis, e desfrutar tudo que o território goiano tem a nos oferecer."

Os trinta jovens voltam de Aruanã com fotos e experiências novas na bagagem. Eles passam a conhecer mais de perto o seu próprio estado. Mas, acima de tudo, voltam com uma percepção diferente, mais diversa, sobre um território que está logo ali e um mundo que parecia distante.

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